Autora: Vania Fonseca
História
A ilha que deixa “saudade” a quem visita!
A ilha foi descoberta em 1461 e o seu povoamento começou do sec.XVII, situa- se a leste de Santa Luzia e transporta o viajante ao encontro de heranças culturais dos arquipélago. Na altura a primeira localidade a ser fundada chamava-se Porta do Lapa. No entanto, devido aos frequentes ataques de piratas a população mudou-se em massa para Ribeira brava, onde foi construida a fortaleza de Preguiça. A ilha tem 343 quilómetro quadrado, para uma largura máxima de 25km e um comprimento de 50 km , situando- se no barlavento do arquipélago entre S.Vicente e Sal. Trata-se de uma ilha de origem vulcânica com um relevo muito acidentado. O Monte Gordo, com 1304 metros, é o seu ponto mais elevado.
Em Ribeira Brava foi erigido, em 1866, o primeiro seminário do aequipélago que acabou por se tornar uma referência do ensino em Cabo Verde. O circulo intelectual de Cabo Verde esteve durante muitos anos sediado em S. Nicolau, onde foi criado, em 1936, o movimento literário “claridade”. A ilha está dividida em dois municípios, S.Nicolau e Tarrafal de S.Nicolau desde 2005, depois de exteriormente ter existido apenas um município. Na ilha há três freguesias: Nossa Senhora da Lapa, Nossa Senhora do Rosário e São Francisco.
Cultura Geral
Filha da morna e da saudade, terra de mistérios e de uma cultura imponente. A cultura de S. Nicolau é fortemente influenciada pelas suas tradições musicais e danças, como a morna, a coladeira e o Funaná, que são expressões artísticas típicas de Cabo Verde. Além da musica e da dança, a ilha tem uma rica tradição oral, como histórias e lendas que são passadas de geração em geração. A ilha também é conhecida pelas suas festas populares, como o carnaval, a festa de São João e a festa do Rosário.
A gastronomia da ilha também é muito rica e variada, com pratos como o Xerém, o peixe grelhado e os mariscos frescos. Também a ilha é conhecida pelas suas paisagens naturais, com praias paradisíacas, montanhas e vales verdes. E um destino popular para o turismo ecológico e de aventura, com trilhas para caminhadas, mergulho e observação de aves.
Festas e Romarias
Em São Nicolau as festas de romarias mais importantes são as celebradas no mês de Junho – Santo António, que se festeja no dia 13, na localidade de Preguiça; São João no dia 24 de Junho, festejado na localidade de Carvoeiros e na zona de São João, na Cidade da Ribeira Brava e na localidade de Praia Branca, no município do Tarrafal e São Pedro no dia 29, na Vila da Ribeira Brava.
Os festejos de Santo António realizam-se no dia 13 de junho, da localidade de Preguiça. As festas começam dias antes com a realização de diversas atividades culturais e desportivas. Na noite do dia 12 há sempre lugar para “cola” ao som dos tambores, bem como o baile popular. No dia 13, centenas de devotos juntam-se na capela de Santo António para homenagearem o Santo, seguido de procissão pelas ruas de Preguiça, e ainda do almoço baseado em pratos tradicionais “môdje” e cachupa. À noite, destaca-se o tradicional baile popular. Celebra-se também a festa de Santo António na Ribeira da Prata, como Padroeiro da mesma.
As festas de São João são uma manifestação cultural em que o profano e o religioso se confundem. O São João é festejado no dia 24 de junho, na localidade de Carvoeiros e na zona de São João, na Vila da Ribeira Brava. Festeja-se também o São João na localidade de Praia Branca, no município do Tarrafal e na localidade de João Batista na cidade do Tarrafal.
As festas, tanto na Ribeira Brava como no Tarrafal, começam uns dias antes com a realização de diversas atividades culturais e desportivas, com destaque para o “lumnar” (fogueira). O “lumnar” é rodeado de tocadores de tambor juntamente de homens, mulheres e crianças que vão colando e dançando o “Colá Sanjon” em grande movimentação. O bater e o ritmo do tambor cria um ambiente de entusiasmo à volta das pessoas, isto porque o ritmo é excitante, e ao som de apitos e de arrebatadores gritos que ecoam, fazem com que homens e mulheres não fiquem parados.
Nessa noite é servido a cachupa e o môdje, e o tradicional baile popular merece uma atenção especial. Já no dia 24, lançam-se foguetes, celebra-se a missa e realizam-se diversas atividades, entre as quais o almoço com pratos tradicionais, corridas, “cola sanjon” ao som dos tamboreiros, “praça” (uma espécie de leilão) e o tradicional baile popular.
O São Pedro também é uma festividade muito popular da ilha que congrega as vertentes religiosa e profana. A vertente religiosa é constituída por missa e procissão celebrada a 29 de junho, e a vertente profana é constituída pelas manifestações ligadas à cultura africana.É na Vila da Ribeira Brava que desde sempre festejam em honra ao São Pedro, e essa manifestação atinge a maior expressão na véspera. Nesse dia, junta-se gente de todos os cantos da ilha para assistir ao batuque de tambores e das coladeiras que são prolongadas até à madrugada. Antigamente, era costume fazerem grandes fogueiras que as pessoas saltavam no largo da Passagem e na Pandudja.
Esta que é uma das maiores festas de romaria da ilha prossegue até ao primeiro domingo seguinte, com a celebração do São Pedrinho na Prainha. É habitual levar um boneco gigante, a que dão o nome de “fanduco”, montado num burro, divertindo o grupo acompanhante. Chegados aí, há um ritual seguido por todos: o de molhar os pés nas águas do mar. No fim da tarde, regressam à Vila, gritando e cantando ao ritmo de tambores, com lançamento de foguetes e muita animação, terminando a festa no largo do Terreiro.





Carnaval
Nascido ou trazido ainda nos primórdios do século XX, foi crescendo, passando por fases diversas, de simples mascarados a grupos organizados, cantando alegremente pelas ruas da Vila da Ribeira Brava e arredores..
O Carnaval de São Nicolau possui aspetos bastante originais. Durante três dias os foliões desfilam pelas estreitas ruas da Ribeira Brava, exibindo as suas cortes reais, e os carros alegóricos artisticamente elaborados. Nesses dias todos os caminhos vão dar ao Terreiro da Sé, que se enche de cor, brilho e muito ritmo. A competição entre os grupos não é oficial, mas nem por isso é menos vigorosa. Os grupos com mais destaque são o Copa Cabana e o Estrela Azul.
Após cada desfile, segue-se o baile e, apesar da rivalidade entre os grupos, os reinados procedem a visitas de cortesia aos seus rivais, sendo muito bem-recebidos.
Contudo, o Carnaval não é vivido somente na Ribeira Brava, pois, em todas as localidades, assim que entra o mês de Fevereiro, começa o Entrudo, assinalado pelos desfiles das comédias (mascarados), com intuito de arreliar e divertir as pessoas.



Musica
A morna “Sodade”, que ganhou uma difusão universal na voz de Cesária Évora, tornou-se numa das mornas mais emblemáticas de Cabo Verde, símbolo de um período dramático da emigração para São Tomé e Príncipe. Conta-se que um grupo de instrumentistas e cantores acompanhavam os emigrantes desde a Praia Branca, onde se reuniam para a despedida, com bagagens, choros e tocatinas, até ao Porto de Preguiça, de onde partiam de barco para “terra Longe”. “Sodade” descreve com grande simplicidade o dilema de ter que partir e querer ficar, que sofriam os emigrantes cabo-verdianos em geral e, em particular, os contratados para as roças de cacau e café de São Tomé e Príncipe. Daí a letra: “Quem mostrob ess caminho longe?/Quem mostrob Ess caminho longe?/Ess caminho pa SanTomé.”
Pode-se dizer que “Sodade” se tornou uma marca de Cabo Verde no mundo. Não só pelo número de intérpretes, nacionais e estrangeiros, que a cantaram e gravaram em disco, mas sobretudo pelo seu conteúdo, levando a que Cabo Verde seja muitas vezes denominado como o arquipélago da saudade.
O “Sodade, Festival d´Morna”, é um tributo à Morna, que já vai na sua 7ª edição, é realizado todos os anos no mês de abril e tem reunido artistas de várias ilhas para prestigiar a morna, tendo já se tornado um produto cultural de referência do Município do Tarrafal de São Nicolau do país.
Dança
Além da morna e coladeira, comuns a todas as ilhas, na ilha de São Nicolau existem outras danças típicas, como a mazurca, a contradança e o Colá Sajon (o ritmo do tambor e a maneira de colar são diferentes das outras ilhas). Conhecidos como sendo tradicionais de São Nicolau, existem também os “Bodje d’Rebeca”, antes conhecidos por bailes de “corpo em terra”, por se realizarem em pisos de terra batida, previamente humedecidos.





