Brava

Autora: Janine Alvarenga

História

A ilha Brava foi descoberta por Diogo Afonso, escudeiro do Infante D. Fernando, nos anos de 1461 e 1462. A mesma teria sido doada ao Infante D. Fernando, pelo rei D. Afonso V, através de cartas de doação, nas datas de 19 de Setembro e 29 de Outubro de 1642.
A ilha da Brava situa-se a Oeste da ilha do Fogo e a Sul dos seus dois ilhéus: o ilhéu Seco (por não ter água) e o Rombo.
A ilha tem uma superfície de 64 quilómetros quadrados, o seu comprimento é de 10,5 quilómetros e a sua largura de 9,310 quilómetros. A ilha conta com uma altitude máxima de 976 metros.
De início a ilha foi aproveitada para a criação de gado. A sua população viria a ser incrementada a partir do século XVII. Em 1532 consta que já existiam igrejas na ilha. Era a menos árida das restantes ilhas do Sotavento, contando com ribeiras de boas águas.

Conhecida como a ilha das flores, devido à sua beleza paisagística propiciada pela existência de flores nos jardins das casas, um pouco por toda a Ilha., A ilha Brava rela-se muito interessante pela sua cultura, história, charme e costa marítima. A ilha é conhecida por sua arquitetura com construções típicas coloniais, pelo património imaterial representado pela sua cultura e tradição musical, berço de um dos maiores compositores de mornas de Cabo Verde, o Eugénio Tavares, pela sua bela orla marítima e pela forte ligação do seu povo com os Estados Unidos por conta das correntes migratórias para este país, iniciadas ainda no século XIX para as míticas pescas da baleia nos mares do Norte.

Foi-lhe dado o nome “Brava” que significa “selvagem”. Sendo “brava” um adjetivo, tal como “selvagem”, “rebelde”, “verde” ou outro adjetivo qualquer, o nome da ilha, ao contrário das outras todas, não vem regido da preposição “de”, como é o caso de substantivos — nomes de coisas (Fogo, Maio, Sal) ou nomes de Santos (São Nicolau, Santa Luzia, São Vicente, etc.).

Dr. Duarte de Vasconcelos cantou:

“Tuas águas são bálsamos santos
Como os prantos, alívio na dor;
São eflúvios de mágico enleio,
De teu seio, tesouras de amor”.

Mas Brava não viveu só de alegrias, pois em 1773-1775 morreu todo o seu gado. E muitas outras crises aconteceram em 1863-1866 e em 1889-1890.
Brava, foi considerada em tempos idos o “Paraíso do Arquipélago”.
A emigração cabo-verdiana constitui uma resposta política a má gestão colonial dos portugueses. A emigração cabo-verdiana não se limita, como dizia Eugénio Tavares “a um simples exercício mandibular“.



Cultura geral

Brava é a menor e mais meridional das ilhas habitadas de Cabo Verde, e tem uma população de cerca de 6.000 habitantes.

A cultura da ilha da Brava reflete uma mistura de influências africanas, europeias e crioulas. A música desempenha um papel importante na vida cultural dos bravenses, com destaque para o género musical tradicional chamado “morna”. A morna é um estilo musical romântico e melancólico, frequentemente acompanhado por violão, cavaquinho e violino. O poeta e compositor cabo-verdiano B.Leza, um dos expoentes máximos da música cabo-verdiana, era originário da ilha da Brava. Além da música, a ilha da Brava também é conhecida por suas festas tradicionais, como as festas de São João, Santo Antônio e Nossa Senhora do Monte. Durante essas celebrações, os bravenses vestem trajes tradicionais coloridos, dançam e participam de procissões religiosas.

A Ilha Brava possui características únicas que podem torná-la num modelo de desenvolvimento sustentado em Cabo Verde. As suas paisagens intocadas, aliadas a uma cultura ímpar e secular, tornam-na potencialmente vocacionada para atrair um turismo diferenciado de alto valor acrescentado. Esse tipo de turismo pode potenciar o aparecimento e o desenvolvimento de outras atividades conexas que vão da restauração à hotelaria, passando pelo artesanato, comércio e os agronegócios. Contudo, a Brava enfrenta o mesmo tipo de desafios que o resto de Cabo Verde. O desafio da unificação do mercado é, talvez, o mais gritante. Sem se ultrapassarem estas limitações, dificilmente a Brava se poderá afirmar como uma plataforma de prestação de serviços e de fornecimento de bens no país. 

A economia da ilha da Brava é principalmente baseada na agricultura, pesca e turismo. A ilha é conhecida por suas paisagens montanhosas, falésias impressionantes e vegetação exuberante, o que a torna um destino atraente para os amantes da natureza e do ecoturismo.Em resumo, a cultura da ilha da Brava é marcada por uma rica tradição musical, festas tradicionais animadas e uma culinária saborosa. Os bravenses têm orgulho de sua herança cultural única e trabalham para preservar suas tradições enquanto abraçam influências modernas.


Nova Sintra tornou-se, em 2013, a Primeira Capital da Cultura de Cabo Verde. Esta distinção pode suscitar dinâmicas económicas, sociais e culturais bastante importantes para o desenvolvimento da Brava. Sendo Cabo Verde um país arquipelágico é importante que cada ilha cresça e se afirme através da valorização das suas especificidades. Ao nível do património histórico e cultural, a Ilha Brava oferece um elevado potencial para se afirmar como uma referência nacional e mesmo internacional, da cultura cabo-verdiana. Se a estes fatores acrescermos a elevada comunidade de emigrantes radicada, em especial, nos Estados Unidos da América, podemos antecipar que a ilha tem motivos para se poder destacar no contexto da emigração. Este fator é determinante na captação de investimentos e na atração de competências existentes nas comunidades emigradas, o que é fundamental para o crescimento da sociedade cabo-verdiana.


Festas tradicionais

  • 5 de janeiro – Dia de Reis
  • 20 de janeiro – Dia de São Sebastião
  • 3 de maio – Santa Cruz *culinha
  • 13 de junho – Santo António
  • 24 ce junho – São João (Padroeiro da Ilha)
  • 29 de junho – São Pedro
  • Primeiro Domingo de julho – Dia de São Paulo
  • Segundo Domingo de julho – Dia de São Paulinho
  • Final de julho – Dia de Santaninha
  • Final de julho – Dia de Sant’ Ana
  • Primeira quinzena de agosto – Nossa Senhora dos Navegantes e Conacry
  • 15 de agosto – Nossa Senhora da Graça
  • 1 de novembro – Dia de Todos os Santos
  • Mês de junho – Dia do emigrante

Gastronomia

Os pratos tradicionais da ilha da Brava são o xerém com capa e a djagacida.O doce típico da Brava  é o “pie”(torta) de manga e abóbora.

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